terça-feira, 16 de novembro de 2010

CONTROLE BIOLÓGICO DO ÁCARO RAJADO

O ácaro rajado, Tetranychus urticae, é considerado praga-chave em diversas culturas de importância econômica. Esse artrópode normalmente apresenta coloração esverdeada, com duas manchas dorsais escuras, devido ao acúmulo de massa alimentar nestes pontos. Possui cinco fases de desenvolvimento sendo ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto. Seus ovos são esféricos e amarelados sendo postos entre fios de teia. Após a eclosão, as larvas são incolores, translúcidas e de tamanho igual ao do ovo, caracterizando-se por apresentar três pares de pernas, o que as diferencia dos demais estágios móveis imaturos (ninfas) os quais possuem quatro pares de pernas. As fêmeas adultas medem cerca de 0,50 mm de comprimento e os machos aproximadamente 0,25 mm, sendo facilmente diferenciado da fêmea por apresentar a parte posterior do corpo afilada. O período de desenvolvimento de ovo a adulto desse ácaro fitófago pode variar entre 5 e 50 dias, dependendo dos fatores ambientais.

Ciclo do ácaro rajado


Ao se alimentar do conteúdo celular, causa o amarelecimento da folha reduzindo a capacidade fotossintética da planta. Mesmo preferindo a parte abaxial da folha, onde produz uma grande quantidade de teia, causando manchas branco-prateadas, seu dano direto também pode ser evidenciado com facilidade na face superior da folha, observando-se nesse caso puncturas cloróticas as quais evoluem até o secamendo da folha. Inicialmente a colonização do ácaro rajado ocorre nas folhas mais velhas, porém após seu estabelecimento na cultura a população distribui-se por toda planta. Geralmente, quando a densidade populacional dessa praga atinge níveis elevados, e/ou durante as horas mais quentes do dia, os ácaros tendem a se dispersar para a parte superior da planta tecendo uma grande quantidade de teia, o que é facilmente visível. Climas quentes e secos favorecem as infestações dessa praga em campo.

Sintomas de dano em morango e teia do ácaro rajado em alta infestação. As principais espécies de ácaros fitoseídeos utilizadas em programas de controle biológico aplicado do ácaro rajado são aquelas pertencentes aos Grupos I e II, quanto ao hábito alimentar, destacando-se: Phytoseiulus persimilis, P. macropilis, P. longipes, Neoseiulus californicus e Galendromus (=Metaseiulus) occidentalis. No Brasil, o emprego de N. californicus e P. macropilis tem se destacado na cultura do morango, crisântemo, gérbera, maçã e pêssego, dentre outras. Adultos destas duas espécies são facilmente diferenciados em campo, sendo que N. californicus normalmente apresenta coloração que varia de palha a amarelo-escuro e P. macropilis coloração avermelhada.


Por outro lado nestas condições, N. californicus pode ser confundido com outras espécies tais como N. idaeus, N. barkeri e Amblyseius spp., as quais geralmente ocorrem no mesmo nicho. Neste caso, em programas de controle biológico onde N. californicus é utilizado em liberação massal, é importante que coletas de exemplares para a identificação em condições de laboratório sejam realizadas periodicamente, mantendo-se a qualidade do programa. Além das diferenças morfológicas e taxonômicas entre N. californicus e P. macropilis outro importante aspecto que diferencia essas espécies é o hábito alimentar. Apesar de N. californicus alimentar-se preferencialmente do ácaro rajado, na ausência desta presa pode consumir outras fontes de alimentos tais como pequenos insetos, outras espécies de ácaros fitófagos ou até mesmo pólen. Já o ácaro P. macropilis é especialista quanto ao hábito alimentar consumindo exclusivamente ácaros pertencentes ao gênero Tetranychus. Os ácaros especialistas reproduzem-se mais rapidamente do que os generalistas quando a disponibilidade de alimento é elevada. Quando a densidade populacional do ácaro rajado é baixa, P. macropilis normalmente se dispersa para fora da área de cultivo em busca de grande quantidade de alimento.


Liberação de ácaros predadores para controle do rajado em morango.

Por outro lado, em condições de escassez da presa, N. californicus pode permanecer na cultura consumindo outras fontes de alimento. Em altas populações de T. urticae, há formação de grande quantidade de teia, o que afeta a mobilidade dos ácaros N. californicus, prejudicando o controle biológico exercido por essa espécie. O excesso de disponibilidade de alimento é outro fator que contribui para essa baixa migração dos predadores. Considerando-se as diferenças entre essas espécies, normalmente recomenda-se que N. californicus seja introduzido na cultura no início da infestação da praga. Nestas condições esse predador será capaz de manter a densidade populacional do ácaro rajado abaixo do nível de dano econômico por um longo período.

RESULTADO COMPROVADO:

Com intuito de avaliar a eficiência agronômica de N. californicus para o controle biológico de ácaro rajado na cultura do morangueiro foi realizado um estudo em uma área de produção comercial de morangos situada no município de Estiva/MG. Para isso foram isolados dois canteiros com aproximadamente 50 m2 cada. Em um desses canteiros o controle do ácaro rajado foi realizado convencionalmente com o uso de acaricidas registrados para a cultura do morango. Na outra área o controle de T. urticae foi efetuado mediante liberações do ácaro predador, a partir do momento em que foram detectadas as primeiras reboleiras dessa praga. Em cada liberação foram introduzidos cinco N. californicus/m2. A flutuação populacional de T. urticae e de N. californicus foram estimadas contando-se o número total de formas móveis do ácaro fitófago e do predador em 25 folíolos em cada uma das áreas (convencional e controle biológico). As amostragens foram realizadas quinzenalmente durante um período de 100 dias. A primeira liberação de N. californicus na área de controle biológico foi realizada um mês após o início do experimento (terceira amostragem), quando a densidade populacional de T. urticae era de aproximadamente duas formas móveis/folíolo. Mesmo após essa liberação, evidenciou-se aumento na infestação de T. urticae neste tratamento, sendo necessária uma segunda liberação a qual foi efetuada por ocasião da quinta amostragem, quando a densidade populacional de T. urticae atingiu seis ácaros rajado/folíolo. Nas amostragens subseqüentes verificou-se aumento na densidade populacional do ácaro predador N. californicus e redução na infestação do ácaro rajado na área de controle biológico.

Por outro lado, na área com o uso de acaricidas (abamectin) não foi evidenciado controle desse ácaro-praga, sendo que na sétima amostragem a infestação nessa área foi de cerca 18 ácaros rajado/folíolo, sendo essa, 40 vezes superior à observada na área onde foram liberados os predadores.

Este resultado demonstrou que a introdução do ácaro predador N. californicus no início da infestação do ácaro rajado é eficiente, podendo manter a densidade populacional da presa abaixo do nível de dano econômico durante um longo período. Para que a introdução de N. californicus seja realizada no momento correto é muito importante que a ocorrência do ácaro rajado seja monitorada periodicamente. Porém, verifica-se que o monitoramento desta praga ainda não é uma ferramenta amplamente utilizada, sendo que geralmente o seu controle é adotado somente quando o agricultor visualiza os primeiros sintomas de ataque (puncturas) na parte superior da folha. Nesse momento, o emprego de N. californicus nem sempre surte efeitos à curto prazo. Neste caso, recomenda-se que antes da introdução de N. californicus seja realizada a aplicação de um acaricida seletivo ou que seja realizada a introdução de P. macropilis, sendo que está é a única solução no caso da agricultura orgânica.


O uso de N. californicus e P. macropilis também tem sido realizado isoladamente ou de forma combinada para o controle do ácaro rajado em plantas ornamentais. Um trabalho realizado na cultura do crisântemo demonstrou a viabilidade do emprego combinado de N. californicus e P. macropilis quando a densidade populacional inicial do ácaro rajado foi igual ou superior a 10 ácaros/folíolo. Nesse caso, em altas infestações da presa recomenda-se que P. macropilis seja introduzido inicialmente e que N. californicus seja introduzido quando a densidade populacional da praga atinja baixos níveis.

Artigo extraído do capítulo de livro:
POLETTI, M. 2010. Ácaros predadores no controle de pragas. In: VENZON, M.; PAULA JÚNIOR; T.J; PALLINI, A. (Eds). Controle alternativo de pragas e doenças. Viçosa: Epamig,p.213-232.

Maiores Informações:
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2 comentários:

  1. Existe resultados para o acaro vermelho do café?

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  2. Trabalho para uma roseira e gostaria de saber se existe algum ácaro predador que resista aos inseticidas de ate 45~50 dias pois somente os rajados sobrevivem por favor mandem msg para este número 3591797547

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